sábado, 19 de fevereiro de 2011

CRESCIMENTO EM VIDA

“Porquanto a vontade daquele que me enviou é esta: que todo aquele que vê o filho , e crer nele, tenha a vida eterna, e eu o ressuscitarei no último dia”. Jo. 6:40. “E o testemunho é este: que Deus nos deu a vida eterna; e esta vida está em seu filho”. 1 Jo. 5:11. “E o Senhor vos faça crescer e aumentar no amor uns para com os outros e para com todos, como também nós para convosco”. 1Tes. 3:12.até que todos cheguemos à unidade da fé e do pleno conhecimento do Filho de Deus, à perfeita varonilidade, à medida da estarua de Cristo”. Ef. 4:13.

Todos nós, os que cremos, recebemos dons.  O primeiro, o dom inicial,  é intrínseco, ou seja, é infundido dentro de nós e passa a fazer parte de nosso ser interior. Este dom é a vida. A vida então precisa crescer, para que possa ser notada, isto é, manifestada por meio do viver.

O Senhor Jesus ao ser concebido tinha em Si a vida incriada de Deus. Ele era o próprio Deus. Ainda assim, Ele foi para Nazaré, onde até os 30 anos, viveu. Na realidade, o que Ele fez ali foi ser separado para, antes de iniciar seu ministério terreno, crescer em vida* tendo um viver segundo a vontade do Pai. Nós, se quisermos crescer em vida* precisamos também ser separados, santificados. A palavra Nazaré significa verdejante, logo, o que o Senhor fez ali foi verdejar, ou seja, se encher do verde que representa a vida. Ele mesmo se considerava verde, ao dizer referindo-se a Si mesmo: “Porque se ao lenho verde fazem isto, o que se fará ao seco?” Lc. 23:31.

Porque Ele era crescido em vida, pode então, vencer as tentações no deserto. Pode levar a cabo Seu ministério, e ainda, suportar a cruz. Por outro lado, porque era crescido em vida, Ele pode agir como o Bom Pastor. Tornou-se além de pastor, o alimento para as ovelhas. O salmo 23 diz: “O Senhor é o meu pastor;  nada me faltará. Ele me faz repousar em pastos verdejantes”. Ser um nazareno é ser um verde, alguém que manifesta a vida de Deus, o dom intrínseco, de maneira extrínseca, ou seja: expressa, em seu viver, a vida de Deus que está dentro dele. Este é o mistério da piedade: Deus manifestado na carne.  Se a vida é tão pequena que ainda está oculta, não poderá ser vista. Mais para que a vida cresça, é necessário alimento. Pastos verdejantes. Este pasto é o próprio Senhor do qual podemos nos alimentar hoje, por meio da palavra e do desfrute de Sua graça, na comunhão dos santos. Aleluia! Ele é o pastor e o pasto!

O que dá a cor verde ao pasto é a seiva. A seiva é o elemento que circula na planta. Logo é a natureza da planta. Ela é quem dita a cor da planta. Mais seiva, mais verde! Mais a natureza se expressa! O pasto seco, não serve para alimento porque é morto. Não tem cor. Não há nele qualquer circulação da natureza da planta. Neste caso, recomenda-se adubo para alimento e água para refrigério. No salmo 23, é dito que o Senhor nos leva para as águas tranqüilas, onde somos refrigerados. Se estamos ressecados, ainda podemos obter clorofila: vamos às águas do espírito e babamos de Cristo.

Se também queremos ter um viver cristão normal, precisamos ser Pastor, para guardar os irmãos em amor, e Pasto para servir de alimento para eles. Isto implica em sermos verdes. Cheios da natureza de Deus.

A vida divina – o dom gratuito de Deus - que está em nós tem essência, natureza e expressão. Assim como a vida humana, tem essência, natureza e expressão.

A essência da vida divina é o Espírito. Esta não cresce, pois já é infinitamente grande, a ponto de ser eterna. É o próprio Senhor, O Espírito, dentro de nós.

A Natureza Divina é Amor. Esta sim, deve crescer sempre até que cheguemos à estatura do varão perfeito. Eqüivale  a termos o mesmo amor que teve o Senhor.  Neste estágio cumpriremos o grande mandamento da Lei: Amaremos a Deus sobre todas as coisas e ao nosso próximo como a nós mesmos de maneira que, se necessário for, iremos até ao calvário. Quando assim agirmos, certamente todos verão algo diferente em nós. Este algo é o viver. Isto é, o testemunho da vida.  Mostra que Deus habita em nós e está sendo manifestado. A natureza é o elemento inato que dá mobilidade ao ser. Assim a natureza é o elemento que faz a vida  se movimentar, ou agir. Por isso tudo o que o Senhor fez foi com amor. Era o amor (A Natureza Divina) que fazia Ele se movimentar. Isto era visto e atraia as multidões atrás de Si.  Se quisermos crescer até que a vida seja manifestada em nós, precisamos agir sempre com amor. Assim atrairemos as pessoas para Cristo. Qualquer ação ou omissão nossa, que não seja motivada por amor, ainda que pareça boa, não agradará a Deus, por não ter origem em Sua natureza. Será prejudicada pela sua origem e será considerada iniquidade. Paulo disse em 1ª Co. 16:14 “Todos os vossos atos sejam feitos com amor”. (Chamo a atenção para a palavra todos)  Em outras palavras: devemos fazer tudo motivados pela Natureza Divina. Toda vez que a exercitamos para fazer algo, mais amor nós experienciamos e mais cresce este amor em nós. Quanto mais cresce, mais se torna visível: isso é glória para o Senhor. Deus glorificado é Deus visto, é Deus manifestado.

A manifestação da vida Divina, é Luz, é Glória. Ao vivermos de modo digno, sempre exercitando o amor (Natureza Divina) Deus é glorificado e manifestado em nós. O Senhor Jesus Cristo é a expressão máxima de Deus. Deus era visto em seu viver. Ser cristão não é meramente seguir a Cristo, mais é também ser ungido para viver Cristo. Viver Cristo é expressar Deus em nosso viver, por meio de fazer a Sua vontade.

Este viver é que nos leva a sermos vencedores e quando da manifestação do Reino, na vinda do Senhor, entrarmos no Seu gozo e com Ele reinarmos. O Reino é para os vencedores. Os vencedores são os que fazem a vontade do Pai. São aqueles que por se amarem mutuamente se tornaram um corpo: O corpo de Cristo.

Nos dias do Senhor na terra o Corpo de Cristo era Jesus. Nele estava o Cristo de Deus. Para isto Ele verdejou!  Hoje o corpo de Cristo é a igreja que se junta e funciona em amor. Os vencedores, pois, não são a igreja apenas como família de Deus, mais igreja como o Corpo de Cristo. Ser a família é ter a mesma vida, a mesma essência divina: isto é pela graça.  Ser o corpo é ter o mesmo viver, o mesmo funcionar, segundo a natureza divina: isto é por amor.  Este viver  será possível se  negarmos a nós mesmos, rejeitar o nosso ego, para, então, amarmo-nos mutuamente, no amor do Senhor.  Em resumo: a essência Divina é para a igreja como família; a natureza Divina é para a igreja como o Corpo de Cristo. O corpo é a expressão visível do Senhor.

Os vencedores são, portanto, os que fazem a vontade do Pai, isso implica em irmos para Nazaré, -(Mt. 2:22-23)- um lugar que mesmo sendo desprezado em razão de sua localização, estava separado de Jerusalém, e da elite da tradição religiosa. A humildade e a simplicidade de Nazaré, é um dos adubos que devemos usar pois faz a vida crescer. A distância de Jerusalém (religião) é a sebe que nos separa:  verdadeira proteção para que a vida não seja tocada, e possa crescer. O amor se manifesta na simplicidade.  Por isso o Senhor nos mandou ser simples como as pombas. 


* Crescer em natureza. O que já era santo santificou-se mais ainda,  por amor.

No amor do Senhor.

Irmão João.

quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

EXPERIÊNCIA DE LUTERO

"Depois de fazer pouco caso de Lutero, dizendo que ele seria um "alemão bêbado que escrevera as teses", e afirmando que "quando estiver sóbrio mudará de opinião" o Papa Leão X ordenou, em 1518, ao professor de teologia dominicano Silvestro Mazzolini que investigasse o assunto. Este denunciou que Lutero se opunha de maneira implícita à autoridade do Sumo Pontífice, quando discordava de uma de suas bulas. Declarou ser Lutero um herege e escreveu uma refutação acadêmica às suas teses. Nela, mantinha a autoridade papal sobre a Igreja e condenava as teorias de Lutero como um desvio e uma apostasia.

(...)

A 16 de abril, Lutero apresentou-se diante da Dieta. Johann Eck, assistente do Arcebispo de Trier, mostrou a Lutero uma mesa cheia de cópias de seus escritos. Perguntou-lhe, então, se os livros eram seus e se ele acreditava naquilo que as obras diziam. Lutero pediu um tempo para pensar em sua resposta, o que lhe foi concedido. Este, então, isolou-se em oração e depois consultou seus aliados e amigos, apresentando-se à Dieta no dia seguinte. Quando a Dieta veio a tratar do assunto, o conselheiro Eck pediu a Lutero que respondesse explicitamente à seguinte questão:

"Lutero, repeles seus livros e os erros que eles contêm?"

Lutero, então, respondeu:

"Que se me convençam mediante testemunho das Escrituras e claros argumentos da razão* - porque não acredito nem no Papa nem nos concílios já que está provado amiúde que estão errados, contradizendo-se a si mesmos - pelos textos da Sagrada Escritura que citei, estou submetido a minha consciência e unido à palavra de Deus. Por isto, não posso nem quero retratar-me de nada, porque fazer algo contra a consciência não é seguro nem saudável." 
* É uma pena que algumas seitas religiosas ensinam que usar a mente (razão) é pecado.

Hoje no meio da cristandade a história se repete. Aqueles que se apresentam, fundamentados na palavra de Deus, contra práticas e doutrinas que se desviam do propósito de Deus, que é encabeçar todas as coisas em Cristo, tanto as do céu como as da terra, são acusadas de rebeldes, doentes, estão "fora de si", assim como o Papa Leão X fez com Lutero.

Pessoas são arregimentadas para investigar o assunto, assim como o Papa fez. Mas em vez de buscar respostas na palavra de Deus eles anunciam que o problema é que, quando você discorda de uma bula (prática ou doutrina não bíblica) a autoridade do "Sumo Pontífice" é que está sendo contestada, então você se torna um apostata.

Realmente temos que tomar cuidado e estarmos fundamentados na palavra, e sermos fieis ao Senhor e não a homens ou organizações religiosas.

Estamos naqueles últimos tempos em que o apóstolo Paulo, por revelação, profetizou que seriam trabalhosos: (3)"Pois haverá tempo em que não suportarão o ensinamento saudável; pelo contrário, sentindo coceira nos ouvidos, ajuntarão para si mestres segundo suas próprias paixões, (4) e afastarão seus ouvidos da verdade, voltando-se para as fábulas."

A estratégia do inimigo é promover um estilo de ministério que não pregue a Palavra, que não fundamente os santos em Cristo e este crucificado. Pois "...destruídos os fundamentos, que poderá fazer o justo? (Sl 11:3)
Mas devemos ser firmes "Porque Deus não nos deu espírito de covardia, mas de poder, de amor e de sobriedade." 2 Tm 1:7.

(...)

1 Tm 6:3-5 "(3) Se alguém ensina coisas diferentes e não concorda com as palavras saudáveis de nosso Senhor Jesus Cristo e com o ensinamento segundo a piedade, (4) está cegado pelo orgulho, nada entende, mas está enfermo com questões e contendas sobre palavras, das quais se originam inveja, discussões, difamações, suspeitas malignas, (5) disputas intermináveis de homens corrompidos na mente e privados da verdade, supondo que a piedade é fonte de lucro."

Interessante destacar a palavra privados (despojados, destituídos) no grego, implica que antes possuíam a verdade, mas que agora a verdade lhes tinha sido tirada. Portanto foram destituídos da verdade. E a verdade refere-se às coisas verdadeiras reveladas no Novo Testamento acerca de Cristo e da igreja. A igreja é a coluna e baluarte da verdade. A igreja deve suportar, sustentar e testificar a verdade, a realidade, de Cristo e a igreja.

(...)

1 Tm 6:10 "Pois o amor ao dinheiro é raiz de todos os males, pelo que alguns, cobiçando-o, se desviaram da fé e a si mesmo se atormentaram com muitas dores."

segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

AGIR SEGUNDO A PALAVRA DE DEUS

"Então disse o Senhor a Josué: Olha, entregarei na tua mão Jericó, o seu rei e os seus valentes. E será que, tocando-se longamente a trombeta de chifre de carneiro, ouvindo vós o sonido dela, todo o povo gritará com grande grita; o muro da cidade cairá abaixo, e o povo subirá nele, cada qual em frente de si. Gritou, pois, o povo, e os sacerdotes tocaram as trombetas. Tendo ouvido o povo o sonido da trombeta e levantando grande grito, ruíram as muralhas, e o povo subiu à cidade, cada qual em frente de si, e a tomaram." Js. 6:2, 5 e 20.
 
"E disse: Porquanto o SENHOR jurou, haverá guerra do SENHOR contra Amaleque de geração em geração. Não os lançarei de diante de ti num só ano, para que a terra se não torne em desolação, e as feras do campo se não multipliquem contra ti." Ex. 17:16 e 23:29. Ex. 17:16 e 23:29.
 
"Não que eu tenha já recebido ou tenha já obtido a perfeição; mas prossigo para conquistar aquilo para o que também fui conquistado por Cristo Jesus. Irmãos, quanto a mim, não julgo havê-lo alcançado; mas uma coisa faço: esquecendo-me das coisas que para trás ficam e avançando para as que diante de mim estão, prossigo para o alvo, para o prêmio da soberana vocação de Deus em Cristo Jesus" Fl. 3:12-14. Fl. 3:12-14. Js. 6:2, 5 e 20.
 
"E disse: Porquanto o SENHOR jurou, haverá guerra do SENHOR contra Amaleque de geração em geração. Não os lançarei de diante de ti num só ano, para que a terra se não torne em desolação, e as feras do campo se não multipliquem contra ti." Ex. 17:16 e 23:29. Ex. 17:16 e 23:29.
 
"Não que eu tenha já recebido ou tenha já obtido a perfeição; mas prossigo para conquistar aquilo para o que também fui conquistado por Cristo Jesus. Irmãos, quanto a mim, não julgo havê-lo alcançado; mas uma coisa faço: esquecendo-me das coisas que para trás ficam e avançando para as que diante de mim estão, prossigo para o alvo, para o prêmio da soberana vocação de Deus em Cristo Jesus" Fl. 3:12-14. Fl. 3:12-14.
Ao entrar na terra de Canaã, a boa terra, Josué, com os filhos de Israel, devidamente orientado por Deus, conquistou Jericó. A cidade de Jericó era potencialmente grande e fortificada, e mesmo assim foi conquistada. Enquanto isto sua vizinha Aí era significativamente pequena; mesmo assim, Josué com seus homens não conseguiu conquistá-la na primeira tentativa. Isto nos mostra que a vitória em Jericó não deve ser aplicada a Ai. O fato de termos uma experiência vitoriosa não significa que já alcançamos a perfeição para todos os fins ou que já estamos definitivamente prontos.

Podemos concluir que as nossas experiências vitoriosas do passado não devem ser automaticamente aplicadas em situações novas, especialmente quando se trata de coisas espirituais; se formos atacar Aí baseados em nossa experiência de Jericó sem antes depender do Senhor, podemos falhar e sofrermos derrota.

Josué com Israel não cuidou que a vitória em Jericó foi decorrente de um combate em circunstâncias especiais, onde não foi necessário utilizar armas nem força; tão somente praticou-se a palavra ordenada por Deus. Fascinado pela experiência vitoriosa, não vigiou e por isso não percebeu que após a vitória consumou-se ali o pecado da desobediência à palavra de Deus, por parte de um israelita que, sob usura, lançou mão de algo que mesmo sendo de grande valor e utilidade, estava inserto nas proibições estabelecidas na palavra de Deus: Era despojo de Jericó.

A vitória em Jericó foi o capítulo inicial e já fazia parte do passado, e como tal, devia ser considerado como um fato histórico fruto do poder outorgado por Deus para enfrentar àquela situação específica. Ai, era um capítulo novo, um novo desafio, uma nova dificuldade para a qual devia Josué e o povo buscar em Deus uma nova palavra orientando como enfrentá-la. Por não buscar a orientação da palavra de Deus, o povo fraquejou e foi derrotado; Josué ficou profundamente abalado!

Também hoje, Deus coloca à nossa frente novas situações com dificuldades diversas que ensejam novos desafios; não para que os enfrentemos com base em nossas experiências passadas, ainda que bem sucedidas, como se já tivéssemos obtido a perfeição ou como se já fossemos autos suficientes; mas ao contrário, para que tenhamos sempre novas oportunidades de buscarmos a luz de Sua palavra e invocá-Lo em nosso socorro.

É necessário esquecermos o que ficou para trás, pois as experiências passadas quando reiteradas no presente ou futuro como uma prática habitual, acabam se tornando tradição. Tomemos como amostra a conduta do apóstolo Paulo ao dizer: "esquecendo-me das coisas que para trás ficam e avançando para as que diante de mim estão, prossigo para o alvo, para o prêmio da soberana vocação de Deus em Cristo Jesus". Isto reflete verdadeira busca de novas experiências com Deus e uma plena dependência para com a Sua palavra.

Se quisermos ter novas experiências com o Senhor, precisamos deixar as velhas experiências armazenadas no estoque. Assim, a cada nova situação devemos ter um novo contato com Deus, um novo invocar, uma nova busca sincera da palavra do Senhor para recebermos nova orientação de como agir.

Vencido em Ai, Josué percebeu, ainda que tardiamente, que de fato não havia consultado a Deus, o que equivale a ter se descuidado da fidelidade à Sua palavra. Humilhou-se então Josué, reconheceu a derrota e sua impotência diante daquele povo; então retomou o caminho da comunhão com Deus. Ao prantear e implorar socorro, Deus o ouviu e outra vez dirigiu-lhe a palavra. Ao por em prática a palavra que Deus lhe dera, Josué, com muita facilidade logrou vitória sobre Ai.

Este fato nos leva a perceber que Deus não atende aos que agem fora de sua palavra, ainda que se diga estar fazendo uma obra para Deus, e que aparentemente seja boa. Não. Deus atende aos que de forma quebrantada se humilham diante Dele e que de coração puro O buscam e Dele dependem. É como diz a palavra: "... Deus resiste aos soberbos, mas dá graça aos humildes. Tiago 4:6. "... porque Deus resiste aos soberbos, contudo, aos humildes concede a sua graça". 1ª. Pe. 5:5b

Rogamos ao Senhor que diante dos acontecimentos e das novas situações que estão ocorrendo hoje em meio aos irmãos, especialmente em Brasília, nos leve a todos a nos quebrantarmos em sua presença e a reconhecermos onde erramos, ainda que sejamos líderes como Josué, para termos um novo começo; desta vez, de forma vitoriosa.

É por bem percebermos que a guerra levada a efeito por Josué contra Ai representa um tipo de obra. Esta, como se depreende, feita com a melhor das intenções e sob o argumento da necessidade de conquistar a boa terra para promover a expansão do território para os filhos de Deus (O Reino de Israel). E, sobretudo, feita com base em experiência bem sucedida na conquista anterior.

Nem precisa dizer que obras tais não propiciam vitória, mais sim, reprovação de Deus. A causa da derrota para Ai foi a impureza de Israel causada pela atitude de Acã, ao desobedecer a palavra de Deus. Precisamos nos guardar, hoje, das obras impuras para que o Senhor não tenha que fazer do nosso ataque um recuo.

Vemos hoje muitos cristãos procurando adotar as práticas obreiras utilizadas no passado as quais não deram certo. Em nome do Senhor, temo por isso, pois se elas de fato estivessem sob o manto da pura palavra de Deus teriam dado certo, como em Jericó. Como não prosperaram, a exemplo de Ai, havemos de nos acautelar quanto a elas, para não afirmarmos tratar-se de algo promovido segundo a palavra de Deus. É, pois, temerário que se torne a adotá-las, ou com elas coninvir, caso alguém as pratiquem.

Podemos perceber que a nossa vitória não se dá de uma vez por todas, mais sempre e diariamente; a cada nova situação precisamos nos humilhar e de coração puro recorrermos ao Senhor para, por meio da Sua palavra, nos iluminar sobre o que, quando, onde e como agir. Por certo a cada dia teremos novos desafios, como bem afirma Ex. 17:16 e 23:29; por isso devemos vigiar, para que o Senhor nos conceda a graça de sermos fieis em buscar sempre a luz de sua palavra antes de qualquer atitude, por melhor que pareça.

Rogo aos irmãos que tenhamos a humildade que teve Josué depois da primeira derrota, e assim, diante das novas situações, como as que vivemos hoje, nos humilhemos e nos quebrantemos o suficiente para buscarmos a luz do Senhor por meio de Sua palavra para, então iluminados, retomarmos o caminho da comunhão e da prática da palavra do Senhor, única maneira de obtermos vitória.

Bom exemplo nos deixou o Senhor em Ap. 2:5: "Lembra-te, pois, de onde caíste, arrepende-te e volta à prática das primeiras obras;"
 
Não podemos esquecer que Josué e Israel enfrentaram um Ai; para os contemporâneos apocalipse faz menção a três Ais. Isso indica que mais do que Josué devemos permanecer atentos, vigilantes e, sobretudo, fieis à palavra de Deus, para não cairmos no enredo dos muitos encargos obreiros que embora possam parecer serem do Senhor, podem, na realidade, serem frutos da inquietude imaginativa do homem, que como Josué pode agir de maneira bem intencionada, em nome de Deus e de Bíblia na mão. Mesmo assim não significa dizer que se está fazendo a vontade do Pai. Leia-se Mateus 7:21-23.

Que o Senhor nos ilumine!

Em Cristo.

Irmão João

A CORRETA BASE DA UNIDADE

Cl 3:11 - .....Cristo é tudo em todos...........

Gostaria antes de iniciar este, fazer uma breve consideração a respeito, uma vez que tal tema é fácil de ser mal compreendido, e por isso pode gerar doutrinas diversas assim como as já existentes que tendem a ser exclusivistas, e por isso, geram a todo momento uma nova denominação, ampliando cada vez mais as barreiras e o distanciamento entre os santos membros do corpo de Cristo uns dos outros, e isso, digo em relação a todos os membros espalhados pela face da terra e não somente dos que se reúnem nos diversos grupos individuais e por isso exclusivistas. Tais doutrinas são barreiras para o entendimento amplo da base da unidade da igreja que é Cristo, este tema requer muita misericórdia do Sr. e de sua graça para que possamos humildemente nos posicionarmos adequadamente com cristãos que somos, amarmos todos os membros do corpo, independentemente de se reunirem conosco ou não.
Toda denominação provém de uma doutrina fora a dos apóstolos e por isso mesmo é religiosa. Ser denominacionado requer que se observe a prática de determinado grupo religioso. Para denominar-se alguma coisa é necessário adotar uma base doutrinária que lhes sirvam de sustentáculo, estas devem ser lógicas, racionais e possuir um mínimo de elementos bíblicos, sem os quais seria rejeitada de imediato pelos cristãos; tais doutrinas abordam um contexto religioso, ou seja, dentro de dogmas já existentes em que religiosos impulsionados por motivos diversos criam ramificações de crendices pré-existentes e por elas se enveredam e carregando diversos outros membros cativos consigo, é o que a bíblia chama de aprisco, dos quais o Sr. Quer nos tirar (Jo10:16).
As doutrinas religiosas intensificam-se à medida em que se ache de certa forma em consonância aos fundamentos de tal credo, onde deve haver um escrito-guia ou manual. Ao abordarmos o tema "A correta base da unidade", em relação ao cristianismo, diga-se de passagem, não ter absolutamente nada haver com religiosidade, apesar de o ser confundido na maioria das vezes, a frágil doutrina que tenta impor uma mística e terrenal "base" para a igreja, é cem por cento fruto de falta de luz, que desconsidera diversos versos bíblicos, pois estes, a negam de todas as formas, por isso, tal doutrina é por si só é auto-condenatória, depõe contra sí mesma, pois opõe-se diretamente ao seu próprio criador, a pessoa de seu Deus, pai e Cristo que afirma ser " tudo em todos". Diante tal negação, vê-se claramente que a brecha que dá margens à criação de mais um doutrina particular, e esta materializa o pensamento doutrinal de seu líder "terreno" e a partir daí, dar-se a criação, manutenção e quem sabe o crescimento de mais uma denominação, não pode ser levada a sério por cristãos saudáveis que laboram na palavra e não são levados pra todo lado por ventos de doutrinas diversos (Ef4:14).

Prestemos atenção aos textos a seguir:

Ef 2:23 - A igreja é o corpo de Cristo
ICo 3:10 - 15 – Paulo, como sábio construtor, pôs o fundamento.....e que este é Cristo.
Qual é a base, ela realmente existe??? Se ela realmente existe onde estaria??? Sabemos que o fundamento é Cristo, mas e a base ??
Gl 3:14 - ....pela fé.....recebemos o Espírito.
V26 - ....pela fé em Cristo somos filhos de Deus....

Cl 1:23- ......permanecer fundados/ alicerçados e firmes na fé.....

A fé aqui é claramente demonstrada como sendo a base onde deve estar alicerçada e fundamentada a vida da igreja. Esta fé é o próprio Sr. Que dentro de nós tem a função similar de útero espiritual onde Cristo está sendo formado em nós cristãos (Gl4:19). vejamos:

I Co 3:10-15 – O fundamento que é Cristo está em nós.....

Cristo é que é nossa fé, logo se Cristo é nossa fé, ele também é nossa base e nosso alicerce, assim, somente Cristo é, ele é o Eu sou, então Cristo é tanto a nossa base quanto a nossa estrutura/ alicerce. Somente a doutrina dos apóstolos que prega Cristo sendo tudo em todos é que pode nos fazer ser um, a doutrina dos apóstolos não gera denominações e nem pensamentos exclusivistas que dividem o corpo. Somente Cristo pode unir os vários membros de seu corpo, qualquer outra coisa tal como uma doutrina particular ou que apresente Cristo parcialmente só tende a dividir o corpo, e prova disso, é que tais membros excluem os demais e não sentem a necessidade de buscar comunhão, pois por meio de seus guias, são induzidos a evitar tal contato, pois sabem que comunhão trás luz e a luz vindo suas obras particulares podem ser expostas.
Cl 1:26 – Este Cristo está sendo fundado em nossa fé, ou seja, em nós, assim, a base da vida da igreja são os crente em que Deus habita, neste sentido destrói-se verdadeiramente toda a estrutura de fronteiras entre os cristãos e impede-nos de alguma forma direta ou indireta nos denominacionar, ou sermos denominacionados.
Quando Cristo é tudo em todos não procuramos partidos ou mesmo aceitamos ser atrelados a nenhuma organização, queremos Cristo como nossa base, fundamento, material e construtor, é assim que poderemos ser chamados cristãos (At11:26), sem nenhum fermento ou má interpretação bíblica; o verdadeiro cristão não reconhece na vida da igreja nada além de Cristo, pois nada ou ninguém pode substituir Cristo que tudo é e em todos em nossa vida, assim, vamos direto á palavra e o próprio Sr. nos instrui por meio de seu Espírito, quando cada parte, aí sim, pode funcionar como convém, todos ganhando encargo da palavra, leitura Bíblica, o profetizar, guardar os santos, cuidado mútuo etc... todos somos responsáveis e todos nos alegramos no Sr. Jesus, não existindo a pessoa física do sacerdote único pois todos servimos igualmente no Santo dos Santos como reino e sacerdotes ungidos (IJo2:20;27 – a unção que recebemos nos ensina todas as coisas) pelo Sr. Que somos (Ap1:5-6).
Edificar é gerar interiormente o Cristo, que está plantado como uma semente em nós.
IJo 3:9 – Cristo esta plantado como a semente de Deus em nós.....
Gl 4:19 – Cristo está sendo formado em nós.....
Ef 4:15 – Temos de crescer em Cristo....
Fp1:1-9 – Temos de crescer em vida......
Cl 1:27 – Cristo em nós a esperança da glória.....
At 4:12 – Não há outro nome pelo qual importa sejamos salvos........
Gl 2:19-20 - ...já não sou eu quem vive mas Cristo vive em mim....
2Co13:5 - ...Cristo está em nós....
Rm 7:6 – somos libertos para servir no novo modo, no espírito...
Rm 1:9 – servir em meu espírito...
2Co 3:6 – O Espírito vivifica...
ICo 6:17 - ...unir-se ao Sr. é ser um espírito com Ele....
Ef 1:22-23 – A igreja é corpo de Cristo...
ITm 3:15 – A igreja é a casa do Deus vivo.....
At 7:48 – Deus não habita em templos feitos por mãos humanas.............

Ef 3:17 – Cristo habite pela fé em nossos corações, que estejamos arraigados e fundamentados em amor.....

Sabemos que a base de alguma coisa é o próprio lugar onde você a coloca, aquilo é a base. Quanto à igreja, nossa base é Cristo, o autor e consumador de nossa fé, Cl 1:23- ......permanecer fundados/ alicerçados e firmes na fé..... alguns podem dizer que a base da igreja deve ser a doutrina que segue, ou o terreno onde a igreja se encontra, lembramos que tal doutrina por negar Cristo que tudo é, é demoníaca pois tende a desvalorizar o que Cristo fez e é para a sua igreja e corpo. Tal turva visão é uma brecha para o surgimento de mais uma doutrina exclusivista que só propicia mais uma forma doutrinal de promover a divisão do corpo, onde seus membros são mantidos em cativeiro, recebendo uma dieta alimentar de alguém que diz ter ruminado e regogitado/ vomitado tal suprimento, que só lhes garante o mínimo de todo um suprimento infindável que é Cristo, não lhes proporcionando a riqueza que Cristo é; os seguidores de tal doutrina são impelidos a evitar a comunhão com demais irmãos e membros do corpo, pois se sentem edificados em sobre a areia, temem o alimento sólido do Espírito (Hb5:12-14), não se sentem capazes e nem necessitados de uma comunhão saudável (Ico3:1-9), pois lhes falta a liberdade que o Espírito dá, esta situação os convergem a Laodicéia que não se sente necessitada de mais nada, está satisfeita com o que têm e rejeita o Espírito, apesar de estarem fracos.
Mt16:13-18 - ....tú és o Cristo....e sobre esta pedra edificarei a minha igreja.....
At 7:49b - .....que casa me edificareis??? Diz o Sr....
At 20:32 - ....é Deus quem, pode idificar-nos.....

Rm15:20 - ..... não edificar sobre fundamento alheio.....

Se dermos sequência na edificação sobre fundamento alheio poderemos incorrer no erro de edificar fora de Cristo, que não gera Cristo em ninguém, nos tornando estéreis, Obs: a maioria dos santos que comungam esta doutrina não possuem frutos. Ter a fé fundada em alguma coisa qualquer que não seja Cristo é heresia, e se Cristo não for nossa fé, ou seja, nossa base, equivale a estarmos edificando com madeira, feno e palha sobre areia, que não resiste ao vento impetuoso do espírito (At 2), que vêm nos dar poder para a pregação do evangelho e nem ao fogo consumidor no teste do Sr. quanto à nossa obra como membros. Toda doutrina que não seja a dos apóstolos ruirá na presença do Espírito Santo.
Hb 3:3 - ...o edificador tem mais honra que a casa....
V4 – O que edificou todas as coisas é Deus
Hb7:19 - ...a lei nunca aperfeiçoou coisa alguma ....
Embasar-nos na velha aliança para afirmar que por causa de Jerusalém ainda temos de considerar o terreno físico como a base para a o viver prático da igreja hoje na era do Espírito é um enorme engano e heresia, Cristo é nossa Jerusalém espiritual, hoje a igreja nada tem haver com coisas físicas. A unção do Sr. vem sobre sua própria cabeça até alcançar-nos, seus membros, esta unção é benção do Sr. o orvalho corresponde ao lugar de habitação, hoje Deus habita nos corações dos seus fiéis. Tanto a unção quanto o orvalho nos vêm por meio da graça que também é Cristo. O Espírito é a própria unidade e podemos mantê-la pois já o possuímos(Jo17:11; Ico12:3). A unção e o orvalho são para o corpo de cristo, em nada tem haver com o aspecto localista, quem está em Cristo nova criatura é, e desfruta automaticamente por meio da graça, tanto da unção quanto como do orvalho, que são atributos de cristo, O Ungido.
Não nos basta queremos edificar sobre a base adequada que é o próprio Sr, como nossa fé, mas também temos de estar edificando com Cristo como o fundamento e materiais adequados, ouro, prata e pedras precisosas, e também com Cristo como O prudente construtor, desta forma Cristo é tudo em todos, Ele é tanto a base pela fé, o fundamento, a estrutura e também é O prudente construtor, Cristo é tudo, é o terreno, é o material e é o administrador.
Nesta forma Bíblica de vermos a vontade de Deus, podemos afirmar que: As divisões são provenientes da falta de uma visão pura sobre o Cristo que tudo é, tais crentes preocupam-se com a condição da igreja, as práticas, as doutrinas e o terreno físico (cidades), sem contudo ver que Cristo é tudo e todos. Este cristo todo inclusivo e não exclusivo, é o Cristo o qual os verdadeiros adoradores buscam com um coração puro e Deus os abençoa.
Se crescemos em vida deixamos as doutrinas de dissensão e discriminação, nos apegamos a Cristo e chegamos à unidade da fé, que só Cristo pode nos levar(Jo17:11-26). A igreja em Cristo é que é a expressão prática da igreja e não devemos insistir em nada além de Cristo como nossa fé.
Rm 14: 1-6 – Para mantermos a unicidade do corpo de Cristo, devemos ter atitude liberal para com os outros sobre questões gerais de discordância.
A unidade da igreja não é nada mais que o Deus triuno, o próprio Deus em seus três aspectos, Deus pai, filho e Espírito Santo dispensando-se para dentro de nós para que unindo-nos para formar seu corpo.
2Co 5:17 - ....se alguém está em Cristo, é nova criatura....
Onde Vc cristão está fundamentado ???? em Cristo que tudo é, ou numa doutrina que tende a inibir o real campo de atuação do Sr. Jesus??? Esperamos que todos os santos pela face da terra tenham em mente que o Sr. é tudo para nós, é nossa fé, é nossa base , é nosso fundamento, é os materiais que edificam, é tudo em todos, não só em algum lugar ou em alguns.
Só Cristo pode unir seus muitos membros espalhados pela face da terra, sem a base que é Cristo esta união permaneceria uma utopia, pois somente Cristo em suas diversas formas de manifestação é capaz de unir-nos, nada além de cristo une os seus muitos membros espalhados pela face da terra, só em Cristo que tudo é temos condições e liberdade do Espírito para chegarmos à unidade do corpo.
Devemos estar abertos a comunhão com todos os membros do corpo sem rejeitar nenhum, só Cristo nos interliga, ao passo que as doutrinas, sejam elas quais forem, só tendem a dispersar os membros do corpo, as doutrinas fora a dos apóstolos só podem dividir, nunca servirão para unir os vários membros do corpo espalhados pela face da terra.
Gl6:15 – em Cristo nem a circuncisão e nem a incircuncisão tem valor algum, mas sim o ser nova criatura.
A nova criatura não compactua em perpetuar a divisão do corpo de Cristo, e o tema como sua única e universal base e fundamento.
Hb 3:1 – Santos irmãos .......considerai a Jesus, o Apóstolo e Sumo Sacerdote da nossa confissão.

terça-feira, 25 de janeiro de 2011

Dogmatismo

Giordano Bruno, condenado à fogueira pela inquisição católica em 1600, refutava a crença em verdades absolutas. São dele essas palavras:
"Nunca deve valer como argumento a autoridade de qualquer homem, por excelente e ilustre que seja...
É sumamente injusto submeter o próprio sentimento a uma reverência submetida a outros;
É digno de mercenários ou escravos e contrário à dignidade humana sujeitar-se e submeter-se;
É suma estupidez crer por costume inveterado;
É cousa irracional conformar-se com uma opinião devido ao número dos que a têm...
É necessário procurar sempre, uma razão verdadeira e necessária..."
No processo de institucionalização do cristianismo, os chefes cristãos, ainda nos primeiros séculos, logo após a morte dos apóstolos, viram-se diante da necessidade de estabelecer os limites entre aquilo que eles achavam ser "certo" e aquilo que eles consideravam ser "errado" para a doutrina cristã. O processo de institucionalização da igreja exigia o estabelecimento de limites entre a "verdade" e o "erro". Só assim seria possível determinar quem era e quem não era cristão.
Na verdade, em qualquer sistema pautado pelo poder de uns sobre os outros, é fundamental que se disponha de recursos que facilitem a distinção, a caracterização e a classificação. Em quase todos os sistemas onde há hierarquia, prima-se pelos uniformes e pelos distintivos de classes. Quanto mais claros e objetivos forem os distintivos, mais fácil perceber a quem se domina. Mais fácil perceber quem se encaixa, ou não, nos moldes e nos estereótipos estabelecidos.
Com o cristianismo institucionalizado não foi diferente. Para ele prosperar, tornou-se necessário estabelecer as classes de poder, formar as estruturas de mando e comando e, principalmente, expurgar as idéias consideradas "falsas", as chamadas "heresias".
Os líderes institucionais, reunidos em concílios, formaram a ortodoxia cristã, ou seja, as doutrinas que julgavam ser essenciais para o homem se chegar a Deus. Definiram as "regras de fé", os credos, as formas de adoração, os lugares de adoração e os títulos eclesiásticos. Estabeleceram aquilo que convencionaram ser a "verdade cristã". Um conjunto de interpretações teológicas e morais, pelas quais cada cristão deveria formar o seu pensamento, a sua fé e a sua conduta.
Essa "verdade" passou a ser imposta com muito autoritarismo para se inibir qualquer pensamento divergente.
Surgiram, assim, as leis da instituição religiosa, as leis da igreja, a profissão de fé, que, pouco a pouco, passou a ser assimilada e disseminada pelos cristãos como a "lei de Deus".
Para fazer parte da igreja, e o discurso dizia que só havia salvação dentro da igreja institucionalizada, o novo crente deveria confessar que estava "de acordo" com as regras e com as leis estabelecidas. Só depois dessa confissão pública é que o indivíduo poderia receber o batismo e os sacramentos cristãos. Desta forma, o comportamento individual, social e familiar; as doutrinas, os dogmas, as crendices e a forma de governo da instituição passaram a ser impostos a toda pessoa que pretendesse ser cristã, como se esse conjunto de regras fosse algo imprescindível para o indivíduo se salvar.
Vê-se aqui que a igreja institucionalizada, muito cedo, usurpou o direito de consciência de cada cristão, e passou a manipular o pensamento, o entendimento e o comportamento de quem pretendesse se achegar a Cristo. Assim, o céu, Cristo, Deus, só eram acessíveis àqueles indivíduos que seguissem as formalidades havidas como "certas". Do lado de fora do sistema dizia-se que estava o erro, a mentira, a heresia. E até hoje, quem é diferente, quem está do lado de fora do sistema é discriminado, marginalizado e tachado de ímpio, rebelde, ou perdido.
Inicialmente, o catolicismo formulou o "Credo" e depois o "catecismo" como conjunto de regras fundamentais e imprescindíveis para alguém se salvar. E, posteriormente, as igrejas protestantes, seguindo os mesmos critérios, estabeleceram as "doutrinas", as confissões e as regras de fé de cada segmento.
Até que após a Reforma Protestante apareceram muitas instituições divergentes das tradições católicas, no entanto a maioria dessas instituições conservou o mesmo dogmatismo religioso que caracteriza toda religião formal e institucionalizada. Todas elas alardeiam que possuem a "verdade", a interpretação certa e infalível das Escrituras. Proclamam que a verdadeira interpretação da Palavra, e por extensão, a "doutrina" que salva, está em seu poder, como se o processo de salvação estivesse condicionado à observância rigorosa de uma regra "correta" e infalível.
Rubem Alves afirma que "a tradição protestante é de protesto, de resistência a todas as formas de autoritarismo e dogmatismo (...) O catolicismo definiu a sua integridade como Igreja em torno do conceito de unidade. O protestantismo, ao contrário, ignora o problema da unidade e se organiza em torno da questão da verdade. (...) Ao privilegiar a questão da verdade, (o protestantismo) foi obrigado a estabelecer padrões relativamente rígidos daquilo que era tido como a doutrina verdadeira. Com isto se criou um espaço institucional ideologicamente homogêneo, mas destituído de opções, no qual os desvios teológicos não podem ser tolerados. A proliferação de seitas protestantes, frequentemente citada como evidência da liberdade de consciência do fiel protestante, é na verdade um sintoma de que o espaço institucional é de tal maneira rígido de molde a não permitir a existência de um pensamento desviante dentro dos seus limites."[1] E conclui que a obsessão pela verdade e o dogmatismo intolerante que ele traz consigo obrigou o protestantismo a fabricar mecanismos institucionais cuja função é vigiar, punir e eliminar.
Entre os crentes, se alguém aceita as doutrinas da instituição, tem-se o sinal característico da conversão. É sinal de que o indivíduo deixou de ser um "perdido" e se tornou um salvo. O novo crente só é admitido na comunidade se professar publicamente que está de acordo com a "verdade", ali proclamada.
Desta forma, ao se ligar a uma igreja, o indivíduo é "castrado" de sua liberdade de ler e interpretar o texto bíblico. Ao se submeter às regras já estabelecidas, ele é obrigado a abdicar da sua independência para fazer a sua própria leitura, de mundo e das Sagradas Escrituras. Tudo agora tem de ser interpretado de acordo com os paradigmas pré-estabelecidos pela denominação.
O discurso da igreja é imperativo. É ele que passa a direcionar o indivíduo em como pensar, o que pensar, o que falar, como interpretar, como adorar, o modo "certo" de se apresentar perante Deus e o lugar "certo" para se adorar a Deus.
Qualquer comportamento ou interpretação divergente daquilo que é instituído pela cúpula da organização é visto como "erro", mentira, heresia e pecado, e o crente "rebelde" passa a ser visto com reservas, passa a ser discriminado, rejeitado e pressionado, até ser expulso. "Ora, se assim é, qualquer instituição que tenha mecanismos para identificar e eliminar o desvio está comprometida com a eliminação do livre exame e, portanto, da liberdade."[2]
Fica evidente que os crentes não possuem essa tão proclamada liberdade que se prega nos púlpitos evangélicos para interpretar o texto bíblico. Eles não podem produzir novas idéias e novos raciocínios. Eles não podem ver as coisas por novos ângulos. A política institucional é rígida para impedir qualquer idéia nova. Desta forma, tornam-se apenas consumidores de uma "verdade" pré-estabelecida, formada, pronta, fechada e inquestionável.
Consequentemente, o indivíduo submetido a esse sistema está longe de ser um ser livre, mas é alguém que se rendeu, que se escravizou a uma interpretação imposta por outro indivíduo, "senhor da chibata", representante da instituição.
Para receber os sacramentos cristãos, cada crente se vê obrigado a confessar a "verdade" produzida por outro indivíduo, uma interpretação alheia, uma doutrina que, muitas vezes, não lhe convence o espírito, mas lhe é imposta pela autoridade de quem manda na igreja.
Desta forma, para se ser cristão, "para se salvar", o crente precisa comprar um "pacote" de doutrinas que outra mente idealizou e formalizou. Um pacote inteiro, já pronto, fechado, e que é brutalmente imposto, sob ameaça de maldição e excomunhão.
E assim, embora se proclame liberdade em cada púlpito cristão, essa liberdade é apenas retórica discursiva, porque na prática, o crente continua refém dos sistemas institucionalizados de formulação do pensamento. Continua refém de uma interpretação que a instituição diz ser imprescindível para se alcançar a tão almejada salvação.
A Reforma, pois, não se completou, apenas mudaram os que mandam e aqueles que se acham legítimos para elaborar as regras. Mudaram os nomes, os símbolos, os mitos, os dominadores. E os dominados continuam sob o jugo de outras "verdades".
Lutero "declarava que se existe um referencial sagrado para o comportamento, se existe um lugar da verdade para o pensamento, tais lugares não se confundem com os lugares do poder, não importa que o poder tenha sido legitimamente constituído. O sagrado e a verdade não habitam as instituições, mas invadem o nosso mundo através da consciência."[3] Isto quer dizer que é absolutamente incoerente qualquer instituição dogmática falar em liberdade nos seus círculos.
No entanto, deixar cada consciência extrair a verdade por si só é falar em pluralidade de interpretações. Isto seria a extinção do sistema eclesiástico hierarquizado. Por não suportar a pluralidade de interpretações, uma única consciência, revestida de uma autoridade mística, estabelece o que todos devem professar. E assim surge o dualismo que caracteriza o sistema: certo ou errado, salvo ou herege, verdade ou mentira.
Pouquíssimos cristãos percebem que aqui não se pode falar em "verdade", porque essa interpretação infalível decretada pela cúpula do poder, nada mais é do que a interpretação que os homens que comandam a organização fazem do texto bíblico. Rubem Alves explica que nas igrejas "existe certo grupo que detém o monopólio da interpretação da Palavra de Deus. Por meio de uma simples inversão, a "Palavra de Deus" pode ser transformada na "divindade da (minha) palavra" (...) substitua-se a divindade do substantivo próprio pela divindade do sujeito humano e teremos a verdade."[4] Ou seja, a interpretação daqueles que possuem esse monopólio e o discurso consoante com essa interpretação sobressai nas tribunas eclesiásticas, enquanto aquelas interpretações desviantes da "oficial" são agressivamente inibidas. Ou seja, não é a "verdade", como pensa o crente, que sobressai, mas sobressai a interpretação que interessa àqueles que detêm o poder institucional.
Salienta-se muito sobre os púlpitos cristãos que a salvação depende da obediência a essa "doutrina", pois a salvação está intimamente vinculada a "verdade" que a igreja proclama. Por isto, criou-se um grande receio entre os crentes de pensar diferente do que a organização prega. Isto seria uma "heresia". Ser considerado um herege, no passado cristão, era um grande passo para a tortura e para a morte por apedrejamento, pela forca ou na fogueira. E ainda hoje, entre os crentes, pensar diferente da doutrina da instituição, é tido como alta traição.
Para resguardar a doutrina de qualquer questionamento ou crítica, o discurso religioso instituiu uma arma poderosa: o medo. Ao cristão se diz que é perigoso pensar diferente. O inferno, castigo eterno, demônios, maldições, hereges, tudo isto é realçado sobremaneira, com a finalidade de inibir as idéias divergentes. Realça-se a ferocidade de um deus pronto a punir àqueles que não concordam com a "verdade" da instituição. Esses são os desobedientes. Os rebeldes. Os hereges. À fogueira.
Qualquer contestação aos rudimentos e às regras "cristalizadas do passado" é associada à rebelião de Satanás. Por isto o rebelde precisa ser excluído. Quem não aceita "a verdade" é considerado rebelde, como Satanás.
E assim, pelo medo, controla-se as mentes. Pelo medo, forma-se o fiel.
Intolerância. O fim daqueles que afirmam possuir a "verdade" é se tornarem intransigentes e intolerantes com o pensamento divergente. Perseguições e rupturas são inevitáveis. Esvai-se a voz profética. "A pretensão de posse da verdade torna impossível a sobrevivência do espírito profético. Porque o profeta é sempre um desviante, que denuncia a verdade socialmente aceita como falsidade e idolatria, e anuncia a sua verdade."[5] O ambiente institucionalizado não admite outra verdade. Por isto sobressai o discurso repetitivo e a justificação. Enaltece-se as tradições. Santifica-se o passado.É a afirmação e a reafirmação de dogmas estabelecidos pelos "ídolos" de um passado longínquo e remoto. Ao qual, até mesmo o espírito profético deve sujeitar-se.
Na verdade, o discurso daqueles que deveriam ser os profetas, os pregadores da Palavra, tomou um novo rumo. Não são sermões que evidenciam o sacrifício, o amor e a vontade do Senhor misericordioso e salvador para com o ser humano. Não são discursos proféticos, que denunciam os abusos e as injustiças. Antes, são sermões que tentam, a todo o custo, justificar, validar, santificar e divinizar a "doutrina", e denegrir quem pensa diferente. Procuram, por todos os meios, demonstrar que a organização religiosa e a sua doutrina são legítimas, essenciais, imprescindíveis e infalíveis. Não há profecias. Há repetição e justificação do discurso oficial. Esses pregadores, constantemente se utilizam de passagens bíblicas isoladas e, muitas vezes, de forma descontextualizada, para demonstrar que a instituição é imprescindível. Tentativa vergonhosa de manipular, e não ensinar. Se está escrito na Bíblia, normalmente é apresentado como "verdade" absoluta. No entanto, outros textos que não satisfazem os interesses da organização, são ignorados.
Esse hermetismo dogmático dentro das instituições religiosas cristãs está intimamente ligado a outro mito criado pela igreja: a infalibilidade dos chefes institucionais. Se a doutrina for reformulada, isto indica que os homens do passado, que formularam a doutrina, não foram tão inspirados. Erraram. Se os homens veneráveis do passado erraram, conseqüentemente os do presente também podem errar. Isto é impensável. Não se pode por em dúvida a capacidade dos chefes institucionais de receber a "verdade" diretamente de Deus.
Reformas são impensáveis onde se diz ter alcançado a perfeição.
Por isto a doutrina precisa ser inquestionável e inflexível.
O passado e as tradições são divinizados e idolatrados.
Os homens do passado são venerados.
Em nome do passado, a organização fecha-se e não se discute as velhas "verdades". A "doutrina" e os dogmas têm que ser preservados, mesmo sabendo que nova realidade já se estabeleceu.
Desta forma, submissão, resignação, disciplina e sujeição, que analisaremos no próximo capítulo, são os temas mais salientados em todas as instâncias da instituição. Quanto mais se resignar, não pensar, não duvidar, melhor. Quanto mais crédulo e subserviente, melhor para a manutenção e sustentação do domínio de uns sobre os outros. "E vamos caminhando, inutilmente, reconhecendo as pedras, identificando a voz da autoridade, ouvindo o barulho típico da tesoura de podar que corta um broto novo... O futuro deve ser uma continuação do passado. As mesmas idéias. A verdade já foi cristalizada em séculos idos. Proibidos de explorar o novo, de pensar o insólito..."[6]
Autoritarismo. O dogmatismo tem de ser autoritário. É de sua essência não tolerar o pensamento divergente e tentar inibi-lo com aspereza, brutalidade e violência. Esse comportamento agressivo e intransigente é o escudo com que os chefes cristãos tentam proteger o dogmatismo eclesiástico de qualquer idéia que possa ameaçar a "doutrina".
Muitas igrejas proíbem o estudo e o pensamento crítico, impõem regras de comportamento, regras de se vestir, de ver, ouvir, falar. Cultuam os costumes dos antepassados e resistem ao progresso e ao avanço tecnológico. Tudo o que é moderno, que não se encaixa nas concepções herdadas da tradição, é visto como "pecado", ou "obra do demônio". Algumas até promovem e incentivam a segregação social de seus membros como forma grotesca de engessar a "verdade", tentando protegê-la de eventuais questionamentos.
Seus críticos são tachados de endemoninhados.
No entanto, esse comportamento autoritário, longe de "proteger a verdade", demonstra que existem falhas de raciocínio e lacunas na formulação da doutrina. Falhas que devem ser escondidas. E a melhor forma para inibir a descoberta dos pontos falhos é a imposição inflexível, o incentivo a uma credulidade supersticiosa e o autoritarismo religioso.
O espírito autoritário é sempre inseguro e medroso. Ele se impõe, agride, e ameaça por causa do medo de ser destituído. Medroso de ser abatido, ele abate. Medroso de ser ferido, ele mata.
As instituições cristãs são frágeis, incoerentes, desnecessárias, e por isto elas têm muito medo de que essa fragilidade transpareça. Os seus chefes têm medo de que os crentes percebam que eles não são tão imprescindíveis como se apresentam. Têm medo de perder o poder. E o medo se manifesta de forma sutil. Ele se mostra na arrogância, na agressividade, semelhantemente ao felino que quando se vê ameaçado iça o pêlo para se parecer mais temível. Rosna. Ameaça.
Salvação. Salvação pela graça. Salvação pela fé. Independente da doutrina. Talvez o maior prejuízo para o Evangelho, quando a igreja institui uma "verdade" inquestionável e apregoa um dogmatismo inviolável, é fazer os cristãos acreditarem que a salvação é um prêmio para aqueles que professam a doutrina. A salvação fica condicionada à obediência às regras estatuídas e ao professar das "verdades" cristalizadas. Assim, esvazia-se a figura do Cristo Salvador, desvirtua o seu sacrifício e inutiliza a sua Graça, pois que cada um procura ser salvo pela obediência a uma doutrina, pelos seus próprios méritos, pelas suas próprias virtudes, pelo merecimento individual. A salvação deixa de ser a conseqüência de uma relação de amor entre Deus Pai e o homem, para se tornar o produto de uma doutrina, de que a instituição se julga guardiã. A salvação deixa de ser um ato da graça do Senhor, para ser contabilizada como crédito na conta daquele que obedece e pensa como a instituição. "Agi de acordo, mereço". "Fiz, tenho recompensa". "Penso como a igreja, sou salvo". Abole-se, por conseguinte, a relação Pai/filho declarada por Cristo na parábola do Filho Pródigo e restabelece a relação Senhor/servo do farisaísmo. Despreza-se a Graça Salvadora do Senhor, para se estabelecer as doutrinas e as leis como critérios para a salvação.
Assim, proclamamos ser cristãos e comportamo-nos como fariseus.





COMERCIALIZAR AS COISAS DE DEUS NÃO É UM BOM NEGÓCIO

Se você quer fazer comércio com as coisas dos homens, isso é seu negócio, e você pode fazer isso, para fazer dinheiro e então você sobrevive com esse dinheiro e você oferta o que você tem, mas não faça comércio na Casa de Deus, com as coisas de Deus. Que tipo de coisa Lúcifer usou para comercializar? Essa é uma boa pergunta, que tipo de material Lúcifer usou para comercializar? Eu penso que ele usou as pedras! Oh! As pedras da Casa de Deus tornaram-se muito boas para comercializar, mas ele não podia fazer isso, ele era o Querubim da guarda, e sua incumbência era guardar o Jardim. - (versículo 16c) - “pelo que te lançarei profanado, fora do Monte de Deus e te farei perecer, ó querubim da guarda, em meio ao brilho das pedras” - O Senhor fala das pedras. Hoje nós temos lindas pedras na Casa de Deus. Que tipo de pedras nós temos na Casa de Deus hoje, eu pergunto a você? É a revelação da palavra de Deus. Essa palavra de Deus quando é revelada torna-se pura, são pedras preciosas. Mas essas pedras preciosas não são para comércio, por que isto pertence a Deus.

O que está escondido pertence a Deus, mas o que está revelado pertence a nós, e aos nossos filhos para sempre, isso significa que a revelação de Deus não é para “negócios”, por que pertence a nós!

Eu não posso vender algo que pertence ao irmão Charles (da Zâmbia). Se Deus me deu a revelação de sua palavra, esta revelação não é vinda de mim, mas uma revelação de Deus. Se essa revelação pertence a Deus, ela pertence também aos seus filhos, eu não posso vender ao irmão Charles algo que pertence a ele. Se esse botão na minha mão pertence ao Charles, como eu posso vender para ele? - “Charles, eu quero vender para você este botão!” — o irmão Charles diria: - “Mas esse botão é meu! Como você quer vender para mim algo que me pertence?” — Na verdade, botões eu posso vender ao Charles, mas eu não posso vender a palavra de Deus para ele. Eu posso vender o papel, o trabalho, mas não posso vender a revelação, por que a revelação pertence a o nós.

Versículo 17: - “Elevou-se o teu coração por causa da tua formosura, corrompeste a tua sabedoria,” - por causa da sua beleza, da revelação, quando nós temos revelação da palavra de Deus, nos eleva o coração. Às vezes quando compartilhamos na reunião, nosso compartilhar é nossa revelação, e quanto mais maravilhosa é nossa revelação mais nosso coração se eleva. Se a cada reunião nós tivermos uma revelação nosso coração ficará cheio, se elevará muito, e eu suponha que essas coisas pertencem a nós, pois essas coisas pertencem a Deus. - “corrompeste a tua sabedoria por causa do teu resplendor, lancei-te por terra, diante dos reis te pus para que te contemplem. Pela multidão das tuas iniqüidades, pela injustiça do teu comércio, profanaste os teus santuários; eu, pois fiz sair do meio de ti um fogo, que te consumiu, e te reduzi a cinzas sobre a terra, aos olhos de todos os que te contempla.”

Essa questão de profanar pode ser vista em Ezequiel 22. O livro de Ezequiel é um livro de julgamento dos quatro elementos, o primeiro elemento é o fogo, o segundo é o vento, o terceiro é a água, e o quarto é a terra. Esses quatro elementos são para o Reino e ocorre da seguinte maneira: pelo fogo para consumir tudo que é natural, a fim de que as coisas de Deus permaneçam; nós precisamos ser consumidos, até os ossos, até nos tornarmos somente ossos, e então o Senhor pode fazer algo em nós; pelo vento, que é a palavra que pode produzir algo nos nossos ossos; o vento é o sopro do Senhor; e pela água, quando nos tornamos um exército e esse exército flui como água, e aonde quer que esse exército vá, a água vai, e aonde as águas vão, a vida irá, tudo poderá crescer, e o resultado será terra, e a terra irá prosperar como o
Reino de Deus.

Então, o livro de Ezequiel, primeiro é o fogo para consumir tudo aquilo que é natural, que vem da carne. Ezequiel 22:26 diz: - “Os seus sacerdotes transgridem a minha lei e profanam as minhas coisas santas,
não fazem diferenças, nem discernem o imundo do limpo e dos meus sábados escondem os olhos; e, assim, sou profanado no meio deles.” - Hoje nós estamos encarregados de cuidar da Casa de Deus, de proteger o que é comum do que é incomum, do que é limpo do que é imundo, o que é santo do que é profano; e o que é profano não pode entrar na Casa de Deus.

A Igreja de Deus não é comércio. Podemos usar o comércio lá fora, mas não podemos fazer comércio dentro. Não deve haver comércio na Casa de Deus. Não há lucro na Casa de Deus. Podemos vender cadeiras, muitas coisas, água, mas não podemos vender as pedras de Deus, as pedras que são revelações que o Senhor nos dá. Atualmente, muitos cristãos estão fazendo comércio com as coisas de Deus; quando eles oram, eles pedem um preço, - “se você quer ser curado, primeiro você me paga, e somente se você pagar primeiro, eu vou orar por você!” - “Se você quer receber as bênçãos, pague primeiro, e então venha receber a oração.” - Isso é fazer negócios com as coisas de Deus, por meio do seu poder pessoal, sua beleza, sua sabedoria. — Há outros clamores comerciais disfarçados de dons divinos como: - “Você tem um problema?  Venha até mim e vamos ter uma comunhão, mas primeiro você paga! Eu tenho uma profecia para você, mas pague primeiro, e dependendo de quanto você me pagar, irá receber a profecia! Se você só pode pagar US$ 100,00 lhe darei uma pequena palavra a você, mas se você pagar mais levará um capítulo todo, você tem que pagar US$ 2.000,00 por isso. O que é isso? Isso são negócios na Casa de Deus, negócios com as coisas de Deus e o resultado é ter o coração elevado. O fato é que você se torna uma pessoa especial uma pessoa vip; você até nomeia seu ministério, - “Ministério de Alguém”, ou nomeia uma empresa particular como sendo um ministério, “Ministério Empresa Tal.” Nosso Ministério é para a Casa de Deus, ele vem de Deus e é um Ministério Grátis.

Livro: O ministério na Era Pré-Adâmica (publicado gratuitamente no site: http://www.forthechurches.org/)


terça-feira, 18 de janeiro de 2011

FESTA EM BETÂNIA (REUNIÃO DA IGREJA)

Foi, pois, Jesus seis dias antes da páscoa a Betânia, onde estava Lázaro, o que falecera, e a quem ressuscitara dentre os mortos. Fizeram-lhe, pois, ali uma ceia, e Marta servia, e Lázaro era um dos que estavam à mesa com ele. Então Maria, tomando um arrátel de ungüento de nardo puro, de muito preço, ungiu os pés de Jesus, e enxugou-lhe os pés com os seus cabelos; e encheu-se a casa do cheiro do ungüento. João 12: 1-3. O reino dos céus é semelhante a um certo rei que celebrou as bodas de seu filho. Mat. 22:02.
Quando ouvimos falar em festa ou quando somos convidados para uma delas, a primeira coisa que nos vem à mente é que ali haverá comida, cânticos, músicas, sorrisos, descanso, prazer e alegria mútua. Participar de uma festa é, pois, desfrutar do convívio de pessoas íntimas, é como sentir-se em sua própria casa, com total liberdade. Na festa, entre os convidados não pode haver melhores ou piores; não haverá maiores nem menores, todos são igualmente, apenas convidados, e como tal, podem desfrutar da festa em igualdade de condições. É assim que o dono da casa, ou anfitrião, serve com toda atenção e apreço, aos convivas.

Nosso Senhor Jesus Cristo, em seu ministério, bem cuidou em levar as boas novas da salvação às ovelhas perdidas da casa de Israel, especialmente, e com muita intensidade, à cidade de Jerusalém. Anunciar as boas novas, curar enfermos, dar visão aos cegos, expelir demônios, nada disso parecia causar cansaço ao Senhor. Entretanto, o que certamente lhe cansava era ver, repetidas vezes, a incredulidade daquele povo religioso, que afeito às tradições judaicas não se rendiam aos pés do Senhor.

Assim, muitas vezes o Senhor saiu de Jerusalém para repousar em Betânia. Podemos ver aqui o contraste: Jerusalém, a cidade santa, o lugar escolhido por Deus como o centro de congregação de seu povo. Cidade religiosamente importante. Ali se encontravam o templo e os sacerdotes. Ali eram celebradas as festas dos judeus, segundo as suas tradições. Cristo, porém, não foi ali reconhecido, nem recebido pelos líderes religiosos. Naquelas festas não havia nenhuma liberdade para o participante, todos tinham que cumprir um ritual, segundo a tradição. É lamentável que o fato se repita, hoje, em meio aos cristãos.

Ao contrário, Betânia significa casa dos pobres ou casa da aflição. Sabemos, entretanto, que Betânia é um tipo da Igreja, uma casa simples com algumas dificuldades aparentes, mais que abriga em seu interior, uma Marta, pessoa que serve, e que ao ver o Senhor e seus discípulos, pela primeira vez passando naquela cidade, o chamou para sua casa; uma Maria, alguém que demonstrando o amor pelo Senhor quedou a seus pés, lavou-os com bálsamo e enxugou com os cabelos; também havia um Lázaro, aquele que como todos os cristãos estivera morto e ressuscitou ao ouvir a palavra do Senhor. 

Exteriormente, como Betânia, a Igreja pode ser pobre e oprimida. A igreja na terra pode não ser rica em coisas materiais (e nem deve), basta-lhe ser rica do gozo e da presença do Senhor. As pessoas podem olhar hoje para a igreja, e dizer que ela é pobre e cheia de aflição, assim como os judeus olharam para Betânia. Isto porque não têm um espírito para perceber quão rica a Igreja é no gozo de tudo o que o Senhor tem para os seus santos.

Embora não houvesse nada exteriormente atraente na casinha de Betânia, interiormente ela estava cheia de festa, de descanso, e satisfação. Não só o Senhor Jesus era festa e repouso, mas assim também eram todos os que estavam lá. Na Igreja do Senhor, o viver deve ser da mesma maneira. Precisa haver a alegria de servir, encontrada em Marta; o amor genuíno visto em Maria; e o testemunho vivo de Ressurreição encontrado em  Lázaro. Tudo porque, na Igreja como em Betânia, Cristo o Senhor, está presente.

Exteriormente, tudo pode ser pobre; interiormente, porém, tudo é precioso, doce e valorizado: temos as insondáveis riquezas de Cristo e sua presença. Nós temos a doce sensação de que estamos com o Senhor e que o Senhor está conosco. Ele está festejando com a gente e nós estamos nos deleitando com ele. Tanto Ele como nós, estamos descansando, como disse em Ezequiel 34:5: Eu mesmo apascentarei as minhas ovelhas, e eu as farei repousar, diz o Senhor DEUS . Somos um grupo de Joãos, todos reclinados sobre o peito do Senhor!...  Ele é o nosso eterno sábado, e nós, a Igreja, a consumação de Sua obra. Estamos todos em confortável repouso e plenamente satisfeitos: Ele, conosco e nós, com Ele. Ele nos deu a sua vida, para que a Igreja tivesse hoje, este viver.  Este é, pois, o viver adequado da igreja que dá prazer ao Senhor.

Sua presença é tudo para o viver da igreja. A igreja depende totalmente da presença do Senhor, por isso deve invocá-lo sempre. Sem a presença do Senhor, a vida da igreja é vazia. Interiormente, o viver da igreja deve ser uma permanente festa, simples, porém tendo como centro somente Cristo, como era na casinha modesta em Betânia!... Na Igreja, a exemplo de Betânia, deve haver sempre uma festa preparada para o Senhor e o Seu povo. Ele não avisava quando ia, nem tinha um calendário preestabelecido com horários fixados. Ali Ele simplesmente chegava e era bem recebido, servido, louvado, testemunhado e toda primazia lhe era dada. Todos estavam sempre esperando e preparados para recebê-lo, no momento e do jeito como ele chegasse, pois sua presença era sempre o maior motivo de alegria naquela casa.  Isto não só o próprio Senhor aprecia, mas, também, todas as pessoas que estão com Ele. A igreja é um lugar onde o Senhor e seu povo se reúnem, para festejar um com o outro e desfrutar um do outro.

Que o Senhor nos dê, na prática, esse viver e que as nossas casas sejam como a de Betânia, sempre receptiva ao Senhor e a Seu povo, e que cada reunião tenha como centro Ele, que é tudo em todos e que assim possamos com alegria comemorar a vitória do Senhor, enquanto aguardamos a Sua vinda.



Em Cristo.

Irmão João






A ti, pois, ó filho do homem, te constituí por atalaia sobre a casa de Israel; tu, pois, ouvirás a palavra da minha boca, e lha anunciarás da minha parte. Ez. 33:7